domingo, 26 de setembro de 2010

Natureza

Pues bien...

Incentivado pelo meu amigo Dr. Enio, resolvi voltar a escrever. Tinha dado um tempo, visto que não encontrava muitos temas polêmicos para debater aqui, mas foi ai que surgiu a idéia de falar um pouco da Europa, dar uma noção para quem nunca esteve aqui, de como as coisas funcionam.

Bom, soube que no Brasil vão começar a cobrar por sacolas de supermercado. Aqui na Europa isso não e novidade. Todos os supermercados cobram e também vendem as chamadas sacolas ecológicas. O interessante e que as pessoas já incorporaram a idéia, e quase todas tem as tais sacolas ecológicas e também, as que não tem, colocam todas as compras soltas no carrinho e depois soltas no porta malas. Não sei como fazem para levar para dentro de casa...

Mas o que não consigo entender, e o fato de que nem só de sacolas plásticas de supermercado vive o mundo. Que o plástico e prejudicial ninguém duvida. Mas é só o plástico da sacolinha que faz mal? Faço essa pergunta pois no próprio supermercado existem outras embalagens plásticas que não são cobradas, e tenho certeza de que vão parar no lixo também. Por exemplo, quando vai comprar frutas e verduras no supermercado, é proibido por as mãos nas frutas. É preciso por uma luva plástica para tocar as frutas e ai que te peguem apertando...

Da mesma forma, se você compra queijo, eles vem fatiados e embalados fatia por fatia, com plástico. Quando você vai abastecer seu carro, a maioria dos postos não tem frentista, e esta a sua disposição uma luva plástica para que não suje suas mãos ao colocar o combustível no seu carro. E tudo isso se usa e se joga automaticamente no lixo.

A única conclusão que consegui chegar aqui, foi que alem de vender a sacolinha plástica e a ecológica, a gente ainda acaba pagando o preço do kg do queijo, da carne ou de outro produto para levar algumas gramas de plástico, e que colocaremos fora logo em seguida.

Ecologia porra nenhuma.

E depois eu que sou saraiva

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Festas

O cara que diz que o Brasil é o país do feriado, nunca veio na Espanha. Já perdi a conta de quantas pontes, e feriados já tivemos aqui. De qualquer maneira, um feriadinho é sempre bom e nem vou reclamar entao!!!

Mas, queria contar a história de um deles. Aqui a ¨semana¨santa, dura umas 3 semanas. É uma semana antes, a própria semana, e uma semana depois. Sao dias de muitas procissoes, muito sofrimento. Acho que eles acreditam que sofrendo vao conseguir diminuir um pouco da carga de pecados que levam nas costas. Para se ter uma idéia, as procissoes sao tipo blocos de carnaval, que saem pelas ruas, e se encontram em um determinado lugar. Só que cada uma delas usa uma roupa diferente, tipo aquelas da Klu Klux Klan, aqueles cones na cabeça, e carregam imagens de Cristo e outros contemporaneos que chegam a pesar 2 mil kg!!! Depois da páscoa, tem a chamada semana branca, onde nenhuma escola ou faculdade tem aulas, e quem pode, vai para as canárias ou mallorca pegar um solzinho e voltar bronzeado.

De qualquer maneira até aí nao tem nada de mais. O legal é quando termina essa semana de 21 dias, vem a segunda feira, que é chamada ¨lunes de aguas¨. Eu ouvia falar desse dia todo santo dia. É o dia que se come ¨hornazo¨. Um pao recheado de diversos tipos de carne. Super forte, mas saboroso. O legal foi quando resolveram me contar o porque da comemoracao do feriado. Dizem que no século XVI, o Rei Felipe II deu uma ordem de que todas as prosts da cidade deveriam ser transferidas para fora da cidade durante a quaresma, para que os homens da cidade evitassem as tentaçoes do pecado da luxuria. Entao a partir da quarta feira de cinzas, as prosts eram levadas para fora da cidade, do outro lado do rio. Lá ficavam até essa segunda feira
sobre a custodia do Padre Putas, que nessa data, as trazia de volta para a cidade, festejado pelos estudantes que levavam o hornazo para que elas se alimentassem bem.

No Brasil tem feriado para negro (consciência negra), índio, árvore, mas pra puta, ainda nao tem!!!

E depois eu que sou saraiva!

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Rivalidade

Certo dia, cheguei ao ponto de pensar que a rivalidade grenal era mesmo a ¨maior do mundo¨. Grande ilusão. É nessa hora que vejo como funciona o poder da mídia, que nos vende produtos, nos faz acreditar em coisas. Outro dia tive a oportunidade de vivenciar o clima de um jogo Barcelona x Real Madrid, visto que o jogo era na cidade de Barcelona, distante quase 800 km de onde estou, sem falar que para conseguir um ingresso para um jogo desses, tem que ser sócio remido, com cadeira perpétua, ter mais de 80 anos e ter vivos os bisavós.

Aí que começam as diferenças. Ou seja, para entrar no estádio tem que ser sócio. O clube tem um estádio com capacidade para, sei lá vou chutar, 60 mil pessoas, e tem 200 mil sócios. Óbvio que não vai sobrar ingresso para quem estiver de fora. Outros fatores que diferenciam, por exemplo: Eu nunca vi uma camisa do inter pra vender por aqui. Nem em loja de esportes, nem em lojas de futebol, nem em lugar nenhum. Nem do Grêmio. Nem do Flamengo nem de ninguém. Em compensação, todos já vimos camisas (a venda)do Real Madrid e do Barcelona em Porto Alegre, em Tramandaí, em Santana do Livramento. Aliás, a única referencia que consegui dar de Porto Alegre, foi dizer que era a cidade onde nasceu o Ronaldinho Gaúcho.

Agora, o fator mais importante e que na minha opinião, o mais impressionante nesse comparativo, foi que quase toda a população (mesmo torcendo pro Salamanca, pro Sevilla, etc...) torce para esses dois times, meio que como no Rio Grande, que todos, independente de torcer pro seu Pelotas, Guarani, NH, etc..., sempre torce pros times da dupla. Mesmo assim, a flauta aqui é uma coisa saudável, as pessoas não se matam por piadas idiotas do tipo eu sou melhor, eu sou grande ou eu sou campeão. Assistem os jogos em bares, com camisetas, gritam, torcem, e não tem brigas (mesmo tendo bebida). Saem na rua, com bandeiras e nao é necessário ter policia escoltando ou dividindo trânsito das torcidas, coisas de povinho, maloqueiro.

Vamos ver agora, quando chegar a copa!

terça-feira, 6 de abril de 2010

Idioma 2

O castelhano continua me pregando peças. Sempre tem uma coisa que é meio Denorex, que parece mais não é.

Outro dia desses, passeando por uma das calles peatonales, os nossos calçadões, resolvemos entrar em um bar pra tomar um café, comer alguma coisa, pois o chimarrão tinha dado fome. Aqui na Espanha os garçons meio que não atendem a gente, não limpam as mesas, jogam tudo no chão, uma loucura, e até que a gente se acostume, demora um pouco. Dizem que quanto mais sujeira tiver embaixo ou perto dos balcões e mesas, melhor é o bar!!! Imagina então...

Bom, mas nesse episódio estava eu procurando um café pra tomar, e nesse bar ao invés do cardápio, tinha um quadro na parede com os cafés. Eis que para minha surpresa, achei um café chamado "caralinho".

Isso mesmo, todo mundo sabe que caralho = carajo

Kraleo, pensei. Como vou pedir um negócio desses. Fiquei me sentindo em São Paulo quando vamos na padaria e pedimos um cacetinho.... hehehe

Outra coisa que descobri, foi que bolsa de apostas, ou o nosso popular bolão, que fazemos de mega sena, de futebol, de copa do mundo, aqui se chama PORRA!!!! Além de ser um sobrenome!!!

Hehehehe

Ainda vou quebrar muito a cara por aqui com o castelha!!!


E despues yo que soy Saravia.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Idioma

Caraca. Sempre gostei de estudar idiomas. Minha esposa diz que eu tenho facilidade. Acho que é esforço e dedicaçao mesmo. Mas eu sempre entendi que fluência somente é possível quando se tem experiências no exterior. Se pode passar uma vida estudando em casa, na escola de idiomas, mas quando vc chega no outro país, muda a entonaçao, muda o acento, muda tudo, principalmente algumas palavras as quais vc ou nao aprendeu (porque nao fazem parte de contextos) ou nunca ouviu falar.

Essa semana busquei meu filho na escola, e fomos almoçar fora. Chegamos no restaurante, chamado "Gaucho Grill", onde pensamos em comer uma carninha parecida com a que tínhamos em nosso rincao antes de aqui aportarmos. Pedimos, almoçamos, e quando chegou a hora da sobremesa e café, eu pedi a conta. Quando a garçonete, uma argentina que ali trabalha me perguntou:

- Te puedo invitar a un "chupito" ?

Caraleo, pensei. Aqui assim no mais? Na frente de todo mundo? Como assim?

Fiz uma cara de quem nao tava intendeindo e perguntei:

-what a fuck is it?

Ela me explicou que era um copinho pequeno, geralmente servido com licores. Me ofereceu ou um Pedro Ximenes (um licor treeeeeee bom que tem por aqui, onde Pedro Ximenes é o nome da uva) ou um de yerbas. Como já conhecia do tal Pedro, aceitei o de Yerbas.

Depois ela acabou me ensinando o nome dos outros copos. Vaso é o copo normal, e que eu conhecia. Jarra é uma caneca um pouco maior, Baloncito os copos tipo taça e Copa, os de vinho. Sempre bom aprender, para nao cometer errores como eles dizem por aqui, vai que me oferecem outra coisa que eu possa pensar bobagem..., tipo a letra Q.

Calma saraiva!

Un saludo!

terça-feira, 2 de março de 2010

Diferenças 2

Viver em outro país nos faz adquirir novos hábitos. Claro, também faz com que percamos alguns. E um dos que estou tentando perder, é o de ler Zero Hora. Claro, sinto falta de ler sobre o Gremio, por exemplo, mas me desagrada tanto ler notícias como a das gangues que se enfrentaram na redençao.

Esse assunto nao é novidade, visto que inclusive fui duramente criticado quando em outro post, se nao me engano sobre o pontal do estaleiro, deixei minha opiniao de que os espaçcos públicos deveriam aos poucos irem se extinguindo. Calma, vou explicar porque, de novo. Ontem, ao ler a matéria no jornal, vi comentários de pessoas dizendo, nao venho mais aqui, nao trago mais meus filhos aqui. De que adianta ter parques, praças, pontais e outros espaços, se nao os podemos frequentar? Pagamos impostos para ter segurança, saúde, escola, etc... e ainda assim nao podemos usufruir das coisas pelas quais pagamos? Por isso disse e repito, que esses espaços deveriam ser loteados. Ao menos, as pessoas que ali morarem ou trabalharem, irao diminuir um pouco a carga de impostos, visto que aumentaria a arrecadaçao.

Achem idiota ou nao, é um ponto de vista. Aqui em Madri ontem, teve uma passeata pedindo maiores puniçoes para criminosos menores de 16 anos, e olha que aqui nao tem Estatuto da Criança e do Adolescente. A maioria dos crimes aqui sao cometidos por extrangeiros, que se aproveitam da ingenuidade da populaçao, ou de quem nao está esperando o ataque. Aqui, quando se anda pela rua, pode ser 10 da noite, se enxerga diversas pessoas caminhando em parques, andando pelas ruas, pois o turno normal começa mais tarde (o trabalho, a escola, começam as 9 da manha), as pessoas aproveitam mais o tempo livre. E sem medo.

(desculpem a acentuaçao, os teclados aqui nao sao iguais aos brasileiros!!!)

E depois eu que sou saraiva.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Diferenças

Cada país tem suas características, seus hábitos, seus costumes. Claro, nada que a gente não possa se adaptar, mas existem algumas coisas que me surpreendem. Aqui na Espanha, onde estamos, matriculamos nosso filho em uma escola particular. Não porque a pública seja ruim como no Brasil, ou tenha assaltantes, traficantes ou coisa parecida. Optamos por uma escola que possui ensino trilíngue. Além das aulas em espanhol, a escola ensina em inglês e francês, com aulas das 9 da manhã até as 6 da tarde.

As crianças usam gravata (inclusive as meninas), todos uniformizados e não se permite usar por exemplo uma roupa de ginástica em horário de usar calça, camisa, gravata e um blusão. Mas o fato que mais me surpreendeu foi de que as crianças tem aulas de civilidade, de comportamento, e na escola!!! Fosse no Brasil iriam dizer que a obrigação seria dos pais, de ensinar em casa.

Além disso, meu filho trouxe um exemplo outro dia que ficamos boquiabertos, talvez por estarmos acostumados com o Estatuto da Criança e do Adolescente, e com as decisões tomadas contra escolas e professores. Disse ele que um colega roubou uns lápis da professora, apagou o nome dela, e escreveu o dele, por não ter trazido de casa. Disse que a professora o chamou de ladrão e mentiroso na frente de todos, e disse que iria chamar os pais dele, além de ter deixado o menino sem recreio por uma semana. Perguntou ao meu filho se no Brasil tinham ladrões nas escolas.

Imaginamos que se fosse no Brasil, iriam demitir a professora, processar a escola e ganhar uma mega indenização. Talvez por isso que tenha menos roubos, menos sem-vergonhice.

E depois eu que sou saraiva.